Reflexões

Justiça da fé

Justiça da fé / Tzidekat haemunah: é a Justiça de Deus / Et Tzidekat Elohim (אֶת־צִדְקַת אֱלֹהִים)

A Promessa a Abrão incluiu Haberacah: “em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Como toda as outras Promessas, esta, também, o Eterno cumpriu!

Dos céus, olha o Eterno para os filhos dos homens para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nenhum sequer… Porque à Tua vista não há justo nenhum vivente.” Tehilim 14:2,3; 53:3,4; 143:2, pois, “não há  homem que não peque.” Melachim Álef 8:46

Assim, como não há justo, nenhum vivente, nem sequer Abrahão, por causa do pecado que contaminou a raça em Adam, todos indistintamente necessitam da Justiça de Deus que produz vida e um relacionamento real com Ele, HaBeracah prometida a Abrão!

 

O que nos ensina o Tanach com relação a Abrahão e a Justiça de Deus?

Após ter saído de Ur, já em Canaan, Abrão questionou, em seu coração, se realmente teria uma descendência de sua própria semente e se realmente herdaria a terra prometida (Bereshit 15:1-3), como lhe fora assegurado pela Promessa do Eterno: uma terra, uma grande nação e HaBeracah.

Pense por um segundo: Abrão deixara tudo o que tinha, toda a sua vida para trás. Por um tempo habitou em Charan, até a morte de seu pai,  saindo de lá com 75 anos, indo finalmente para Canaan, a terra da Promessa.

Anos são passados. Já na terra da Promessa, porém peregrinando como em terra alheia, continuava sem semente! Permanecia aguardando o cumprimento das promessas, mas, dúvidas subiram ao seu coração.

Então, o Eterno o consolou com Sua Palavra, repetindo a Promessa, porém, ainda Promessa, mas, Palavra de Elohey Amen:

Não será esse o teu herdeiro (o damasceno Elyezer); mas, aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro. Então o conduziu até fora e disse: Olha os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua semente.” Bereshit 15:4,5

E Abrão creu no Eterno, e isso lhe foi imputado para justiça (וְהֶאֱמִן בַּיהוָה וַיַּחְשְׁבֶהָ לּוֹ צְדָקָה). Bereshit 15:6                     

Abrão descansou no Eterno: veheemin baYHVH!  Ele declarou: Tu, JHVH, és verdadeiro!  Em Ti, O Verdadeiro, eu confio, eu descanso, estando plenamente convicto de ser Ele poderoso e fiel para cumprir o que prometera! Pelo que isto lhe foi imputado para justiça.

Esta é a Justiça de Deus, Tzidekat haemunah (צִדְקַת הָאֱמוּנָה) – a Justiça da fé, atribuída a Abrão, ainda incircunciso, sem obra alguma, alcançada somente pela fé – בָּאֱמוּנָה

O Eterno deixa bem claro que Abrão não fez nada a não ser reconhecer que Ele é verdadeiro e, como tal, digno de confiança, ainda que, por um pouco, tivesse subido dúvida ao seu coração.

Portanto, a Justiça de Deus, revelada no Tanach, é a que tem quem vive pela fé, não porque seja em si mesmo justo, ou cumpra as exigências da justiça divina, o que é impossível para o pecador, pois, “não há justo nenhum vivente, não há quem faça o bem”, mas, porque Deus lhe dá esse dom, como está escrito:

“O justo viverá pela sua fé  (צַדִּיק בֶּאֱמוּנָתוֹ יִחְיֶה).” Chavacuc 2:4, não, de suas obras!

 

Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor e, sim, como dívida, mas, ao que não trabalha, porém, crê nAquele que justifica ao ímpio (אִם־מַאֲמִין בַּמַּצְדִּיק אֶת־הָרָשָׁע), a sua fé lhe é atribuída como justiça (אֱמוּנָתוֹ תֵּחָשֶׁב לוֹ לִצְדָקָה).

 

Portanto, a justiça do justo não é obra sua, mas, dom, presente gracioso de Deus. E, se é gracioso é, forçosamente, imerecido!

 

Concluimos, pois, que o homem é justificado baemunah, independentemente das obras da Torah (כִּי בֶאֱמוּנָה יִצְדַּק הָאָדָם בִּבְלִי מַעֲשֵׂי תוֹרָה).

É importante entender que a justificação pela fé – hatzedakah baemunah não quer dizer que a emunah seja uma obra mais sutil e que Deus nos paga por essa obra, como um mérito nosso. Quer dizer, sim, que tanto haemunah – a fé, como hatzedakah – a justificação, do pecador, injusto, são obras de Deus, de Sua graça, por Sua graça, totalmente sem mérito, imerecido!.         

“Em JHVH será justificada (בַּיהוָה יִצְדְּקוּ) toda a semente (כָּל־זֶרַע) de Israel e nEle se gloriará.” Iermiahu 45:25

 

E é assim também que David declara ser bem-aventurado o homem a quem o Eterno atribui justiça, independentemente de obras:

“Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos; bem-aventurado o homem a quem o Eterno jamais imputará pecado.” Tehilim 32:1,2

 

O Eterno pode assim proceder “porque a alma da carne está no sangue e Eu vo-lo tenho dado sobre o altar para expiar pelas vossas almas; porquanto o sangue, ele é que expiará pela alma.” Vaicrá 17:11

Anos após ter sido justificado pela fé, o Eterno demonstrou a Abrahão, figuradamente, como Ele haveria de prover o sangue real e eterno, o sacrifício vicário, uma vez por todas e para sempre, para a remissão dos pecados, consumando a Justiça de Deus, HaBeracah prometida a Abrão.

 

Disse o Eterno a Abrahão: “Toma o teu filho, teu único filho Itzchaq, a quem amas, e vai à terra de Moriah; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que Eu te mostrarei.” Bereshit 22:2

abraao

Ele ofereceu o filho da Promessa, Itzchac, sem titubear, em holocausto a Deus, no Monte Moriah, o filho em quem estavam depositadas todas as promessas feitas a ele, pelas quais havia deixado tudo para trás!

Mesmo vivenciando uma situação extrema, sob forte emoção, confiou até o fim no Eterno porque sabia, baemunah, que Ele é fiel, Elohey Amen, e jamais falharia em todas as Suas promessas. Ofereceu Itzchac, porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou.

Assim, baemunah, ele com segurança respondeu à pergunta de Itzchac quanto ao cordeiro para o sacrifício: “Deus proverá para Si (יִרְאֶה־לּוֹ), meu filho, o cordeiro para o holocausto” Bereshit 22:8, o que exatamente fez o Eterno, provendo, em figura, o carneiro, substituto de Itzchac, para o sacrifício – v13.

“Abrahão chamou o nome daquele lugar de O Eterno proverá – JHVH yireh (יְהוָה יִרְאֶה), como é dito até ao dia de hoje: No Monte do Eterno se proverá (בְּהַר יְהוָהַ יֵרָאֶה). v14

Abrahão perfeitamente entendeu a lição! O Eterno, no Monte Moriah, proverá o Cordeiro para Si!

No tempo determinado do Eterno, bemoadO: em Pessach, no Monte Moriah, Ele manifestou claramente a Sua Justiça, nEle, o Cordeiro de Pessach, HaBeracah prometida, quando:

“Certamente Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre Si; e nós O reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados…

O Meu Servo, o Justo, com o Seu conhecimento justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre Si.” Ieshaiahu 53:4,5,11

Cumpriu, assim, o Eterno, bemoadO – no Seu tempo e local determinados, o que determina a Torah: “É o sangue que fará expiação em virtude da alma… darás alma por alma” Vaicrá 17:11; Shemot 21:23

 

Abrão creu no Eterno, e isso lhe foi imputado para justiça.” Bereshit 15:6

E você, já alcançou, baemunah, de graça et Tzidekat Elohim provida pelo Seu Cordeiro eterno, perfeito, como Abrahão?

 
Vera Lúcia A. de Almeida